segunda-feira, 13 de junho de 2016


“Não adianta dizer que um olhar vale mil palavras, que o silêncio diz tudo.
Não, não e não.
Eu quero sentir, tocar, cheirar, provar, morder e ouvir. Ler.
Então, por favor, Diga.
Qualquer coisa que seja , qualquer frase, qualquer palavra perdida, fale. Ou escreva.
Mas por favor, eternize.
Palavras foram criadas para fotografar o coração, então, por favor, não poupe o mundo da sua essência.
Palavras são simples. Precisas. Lindas em sua pureza de ser dita.
Não precisa fazer pose. Deixe acontecer. Se a garganta der nó e a sílaba não sair, escreva. Caneta e lápis na mão sejam. Mostre-se.
Alimento-me de palavras. Verdades, incertezas, medos, doçuras e pequenas mentiras. Não importa. Eu quero provar seus verbos. Seus sujeitos. Seus objetos. Eu quero te ler. Te sublinhar. Te copiar. Te re-ler.
Então, por favor, escreva-se. Inscreva-se. O que me encanta no mundo são letras, vogais, combinações inexatas entre o que quer dizer e o que se diz.
Não precisa dizer bonito. Muito menos escrever bonito. Palavra vira poesia quando dita com a alma.
Por isso, solte-se. Rabisque-se. Eu não vou analisar suas palavras. Eu vou apenas senti-las… Sentir você em cada letra escrita, em cada ponto, em cada frase desenhada.
Por isso, permita-me. Eu não quero gramática, dicionário, frases de efeito pra preencher vazio. Eu quero você. Você e suas palavras.
Você e sua letra torta. Em qualquer frase, qualquer rima qualquer asterisco no pé da página. Mas que seja você. Que brote do silêncio da sua alma bonita e se transforme em letras: Palavras para eternizar a poesia que é seu coração!”

(F. Mello)

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